Querida Amélie,Querida Amélie,
Querida Amélie,
Quando percebi Chloè me olhando com aqueles imensos olhos azuis de mangá, meu coração deu um salto e eu não consegui fazer nada mais a não ser encarar aquela criatura divina a minha frente. Fiquei hipnotizado e quando me dei conta, já tinha me perdido dos meus amigos. Lá estava eu, perdido no coração de Passo Fundo - cidade perigosa para os mancebos distraídos -, aturdido pela beleza rara e delicada daquela gata branca, sem saber ao certo pra que lado eu deveria ir. Sem hesitar, empurrei a porta de vidro que nos separava e me aproximei de Chloè. Com um salto leve, colocou-se aos meus pés e se deixou acariciar. Ao tocar seu pelo macio, percebi que aquela gata encarnava toda a beleza da mulher gaúcha: uma beleza clara, luminosa, sem nenhum tipo de subterfúgio; depois de ter conhecido Chloè, digo sem receio: As mulheres gaúchas são as mais belas do Brasil! (e se considerar que a mulher brasileira é a mais bonita do mundo - e é mesmo! -, a mulher gaúcha é a mais bonita do mundo!) Mas o que eu não tinha ideia é que aquela pequena criatura me mostraria muito mais do que a sua elegante beleza: Sem nenhuma reserva, Chloè me apresentou ao seu mundo onde cada mínimo detalhe destoava do mundo maior. Roupas, Acessórios, Bottons, Ímãs, e toda uma série de objetos que despertavam mais do que desejo, despertavam paixão. Aquele era o mundo de Chloè e ele se chamava Valentine. Deixei-me ficar ali um longo tempo, eu diria séculos! Toquei em cada coisa que me foi permitida, busquei conhecer cada detalhe, cada beco e corredor de Valentine, cada textura de suas fronteiras. Estar ali era mais do que conhecer uma loja estilosa, escondida numa rua de uma bela cidade gaúcha; estar ali era como experimentar um pouco da alma feminina - a alma da mulher mais linda do mundo. Uma pena que a arquiteta de tudo estivesse viajando, que não pudesse me contar o porquê de tudo aquilo, como construiu um mundo tão perfeitamente lindo. De qualquer forma eu passei um dos melhores momentos da minha viagem ali em Valentine, ao lado de Chloè e das coisas todas femininas. Claro que havia algum tanto de masculino, umas camisas ultra legais, uns Bottons, tal, mas nada que chegasse aos pés de qualquer coisa de mulher. E eu, claro, trouxe uma camisa com um retrato seu, Amélie, de quando você era criança e comia displicentemente aqueles morangos (eram morangos?) com o dedo. Também trouxe um botton enorme (que vou transformar em ímã pra minha geladeira) da Audrey Hepburn no filme Bonequinha de Luxo. Aquela clássica imagem dela com a piteira de cigarro. Depois eu conto mais da minha viagem, de como foi bom participar da famosa Jornada da Literatura de Passo Fundo, um evento trilegal que agrega escritores e artistas de todo o Brasil e alguns do mundo. Mas essas ficam pra depois, porque no momento ainda estou em Valentine com Chloè.
